Surf deixou de ser esporte desde o momento em que fiquei em pé na prancha pela 1ª vez. Virou mais que um estilo de vida, virou filosofia a seguir na vida, com princípios, conceitos, ídolos, feitos e fatos.
Ao longo desses anos (±11 anos de surf) tive preconceitos com os diferentes estilos de surf: Longboard era coisa de velho; Body board coisa de mulher; Old models coisa de museu e Tow-in coisa de rico.
Porém esse mundo dá voltas e assistindo a diferentes tipos de filmes de surf, lendo revistas, visitando mostras de surf e cultura, criei outras opiniões e amadureci. Percebi que o surf são todos os estilos juntos, que um dia tem que ser praticados por todos pra aumentar nossos sentimentos, sabedoria e integração com o surf e a mãe natureza.
Não devemos fechar as portas para outras culturas, temos que aproveitar o que cada cultura tem a oferecer e aproveitar isso. Os havaianos sempre praticaram todos os tipos de surf e por isso são muito ligados com o oceano e a mãe natureza.
Hoje pratico todos os estilos: Longboard, Shortboard, Body board, Old models e Body surf. Ainda só não pratiquei Tow-in por ser caro e limitado.
Se tenho a cabeça aberta às diversas opiniões e minha espiritualidade em equilíbrio devo isso ao surf e a mãe natureza que sempre me acolheram de braços abertos. Hoje moro longe do mar e mais próximo a mãe natureza (em Manaus) e meu espírito de surf continua vivo. Sei que quando chegar na praia olharei o mar com olhos de uma criança, como se fosse a 1ª vez.
Aproveite todos os tipos de envolvimento com o mar e a mãe natureza. Busque sempre novos tipos de contato com o oceano, não se feche apenas ao seu estilo tradicional de surf, não crie preconceitos antes de criar oportunidades de experimentar. Se não tem ondas para pranchinha pegue um longboard e tente surfar. Tente fazer Hang Five ou até um Hang Ten para sentir e dar umas risadas com seus caldos. Assista aos filmes antigos e sinta a “vibe” que eles passam, veja os estilos mais clássicos de surfar.
O mar se expressa através das ondas, quando mostra sua formação. A natureza influencia em sua tranqüilidade e personalidade, que podem ser alteradas pela maré, vento, correntes e estações. Entube e sinta a energia do oceano te envolver, pratique o body surf e sinta a energia das ondas diretamente na pele.
Assim como nós, quando ele está de bem com a vida, os surfistas deveriam agradecer pelas boas ondas que nos servem. Os mais dedicados tentam entender seu estado de espírito nos dias grandes e lá atrás o silêncio e a ansiedade tomam conta.
O surf é muito mais que um esporte, estilo de vida ou filosofia. Como definiram na 3ª Mostra de Arte e Cultura Surf: “Surf é Hedonismo”. Toda nossa vida deveria ser baseada na linha de filosofia do Hedonismo, fazermos as coisas puras, simplesmente em busca do prazer e diversão. Descubra-se.
John Muir, um dos primeiros ambientalistas, disse a seguinte frase: “Em toda caminhada na natureza recebemos muito mais do que procuramos”. Com o surf é a mesma coisa, sempre entramos no mar pensando em só surfar, mas sempre saímos de cabeça feita, felizes e de alma lavada.
Alguns surfistas, que se entregam totalmente, possuem a dádiva do “feeling” para observar todos os fenômenos que são transmitidos pela mãe natureza e ter a certeza que Deus existe.
Quem sou eu? Sou uma pessoa como você, que ama o surf, mas entreguei minha vida a causa ambiental. E por ter um caminho a seguir, tive que me afastar do mar para descobrir que ele é essencial a minha vida. Atualmente, assim como outros brasileiros esforçados, estou ajudando a salvar aquilo nós temos de mais valioso, a Floresta Amazônica.
Ass: Rafael Ferreira Godoy, estudante de Engenharia Ambiental (trancada no 5º ano para trabalhar nas Unidades de Conservação Estaduais do Amazonas). |