O surf é algo que não consigo explicar, sequer almejo elucidar com perfeição. Diante essa enunciação, a tristeza seria inevitável, porém, contrariando o bom senso, ficarei nutrido de alegria. E por quê? Porque ignoro o motivo, contudo, inusitadamente, afirmo, com força objetiva, o surf singelamente é. É o quê? É algo místico e de atmosfera contemplativa. O movimento é inenarrável. Um composto híbrido de sensações e percepções ultra-incomuns. O surf se refugia nas considerações dos antigos reis e velhos sábios, aqueles de longas barbas brancas. É genial! É enigmático! A bordo de um bloco de resina e poliuretano, posso perceber essas sensações que se multiplicam incessantemente. O momento mágico que se alinha ao movimento da onda, pode ser comparado a uma excitação explosiva repleta de suavidade, contraditório? Talvez, mas certamente prazeroso. Falando assim, posso parecer um forasteiro polinésio, derramando endorfina por onde passo, obstante, brotar e derramar essa sensação de volúpia trás um grande sentido a vida. Porventura, creio que numa das inúmeras rodas de sábios atenienses que existiram, ao sopé do mar Egeu, esse modo de pensar teve algum sentido, sentido este que busco assiduamente em meu caminhar. Quanto aporto em terra firme, percebo olhares surpresos, diante de expressão tão afortunada. Defronte disto, uma pergunta volta a me interessar: o que foi preciso para que esse simples mortal se transformasse em um bem fadado? Um dia de surf, só isso. Seu rosto descontraído é ostentado por uma felicidade inexplicável, algo que minimamente um simples andante poderia arriscar-se a dizer: esse cara está de zombaria, de que ele tanto sorri? Desculpe-me, mas essa bem-aventurança é para poucos, ou como poderia dizer Fernado Anitelli - “Só para Raros”. A poesia embebida e inebriante do surf é surreal. |