10 perguntas para pablo paulino
Assista ao video da entrevista com Pablo Paulino aqui na Redação da Hardcore.
Um pouco antes do fechamento da edição #222, Pablo e Zé Paulo fizeram questão de passar aqui na redação. Aproveitamos uma das raras vindas do Bicampeão Mundial Junior ASP para saber um pouco mais sobre sua conquista e objetivos.
 

1 – COMO FOI COMPETIR SABENDO QUE SERIA SEU ÚLTIMO ANO, SUA ÚLTIMA OPORTUNIDADE DE TENTAR SER BICAMPEÃO JUNIOR?
Fui bem mais tranqüilo que em 2003, com mais experiência. Mas mesmo assim me deu frio na barriga. A galera do Brasil me passou muita energia, acho que isso me ajudou bastante, deu mais força. Acho que em toda minha vida esse foi o campeonato que me senti mais descontraído, mais tranqüilo. Essa foi a vantagem que tive.

2 – VOCÊ NÃO SE CLASSIFICOU PELAS SELETIVAS SUL-AMERICANAS (Peru/Camburi). COMO SONSEGUIU ESSA VAGA?
O Zé Paulo me ligou, eu estava no Hawaii. Ele disse que tinha conseguido uma vaga para o mundial da Austrália, foi assim, nos 45 do segundo tempo. Ele conversou com o Wayne “Rabbit” Bartholomew, e ele aceitou me dar o wildcard. Nós não falamos para ninguém, cheguei lá e foi uma surpresa para muitos, principalmente depois da vitória.

3 – VOCÊ FALOU QUE ESTÁ SEM TEMPO PRA TREINAR, EXPLICA ENTÃO ESSE BICAMPEONATO NA AUSTRÁLIA. FALA UM POUCO DO EVENTO.
No começo fiquei triste porque os moleques foram perdendo e só ficamos eu, o Mineirinho e o Guigui, mas acabaram caindo também no terceiro round e fiquei sozinho. Estava na torcida pelo Mineirinho, não imaginava que ele fosse perder e eu passar... Sabia que ia pegar umas baterias fortes, mas também tinha as só de encaixe, que seriam fáceis. Todo mundo falava do Julian Wilson, mas eu não fiquei com medo, não. Surfei bem nas oitavas, depois peguei o Julian, não foi fácil, mas acabei tendo mais sorte. E entrei focado, pensando que não podia perder. Queria fazer meu nome de novo e acabou dando tudo certo. Peguei um outro australiano, depois que me deixou na combination, e falei: Nossa, o que é isso? É tudo que os caras querem, mas eu não vou deixar isso acontecer! Comecei a rezar, aí fui numa ondinha, era ele que estava na prioridade, e me deixou ir, ele até disse: Go, go. Mas fui meio desacreditado já. Fiz um cinco e pouco e acabei precisando de 7.01. Ele pegou uma onda depois e eu fiquei na prioridade, mas sabia que não podia ser qualquer uma, então esperei. Aí veio uma série. Nem acreditei. Não surfei botando muita pressão, surfei mais aliviando, porque eu podia cair e, quando veio a nota, o locutor disse que eu não tinha virado. Aí uma locutora brasileira pegou o microfone e disse que eu tinha virado sim, com 7.67. Essas duas baterias pareciam duas finais, foram difíceis. Na semi, entrei tranqüilo, pensei que se passei naquelas duas tinha que passar nessa também. Quando vi já estava na final. Mais um havaiano, ele fez um 10 em outro round, tinha também uma das maiores somatórias do campeonato, então não seria fácil. Entrei achando que ia ser difícil, mas fui super bem. Na primeira fiz um 8.50, vi que ele estava nervoso, isso me acalmou, depois fiz um 6 e pouco e então ele ficou em combination, aí fiquei marcando ele o tempo todo, na areia a galera comemorando. Quando acabou, não acreditei. Veio um filme na minha cabeça da galera que me ajudou e sei que todos estavam muito felizes.

 
 

4 - E OS BRASILEIROS, COMO SÃO VISTOS LÁ?
Achei que houve injustiça na bateria do Mineirinho, os juízes se precipitaram muito ao dar a nota dele. O Dino Andino (locutor) chegou até dizer que eu era a zebra do campeonato. Eu fiquei irritado com isso, subi no palanque para falar com ele, disse que a gente era da mesma equipe, ele também tem patrocínio da Billabong, e que ele não tinha que ficar falando isso. Ele sempre comentava que as ondas que os brasileiros pegavam eram pequenas, até mesmo na final ele disse isso, mas nada podia ser feito, ele era o locutor oficial. Sinto que o Dino prejudicou um pouco as baterias dos brasileiros.

5 – QUAL A PROGRAMAÇÃO PARA ESSE ANO? WQS...

Esse ano vou ver se dá para ir à Indonésia, realizar meu sonho. Nunca fui pra lá, pois o calendário do WQS é muito fechado e era difícil conseguir conciliar, mas esse ano vamos ver se dá certo. Vou tentar entrar como wildcard nos campeonatos do WCT em que a Billabong patrocina, assim já começo a ter um pouco de noção de como são as etapas do WCT.

“É legal dar valor ao fato de que o único título que a Billabong conquistou no mundo inteiro esse ano foi com o Pablo e a única disputa de título mundial até a última etapa foi a Silvana. Resumindo, os melhores atletas da Billabong no mundo são esses, em termos de resultado. É o momento de injetar vitamina nesses garotos. Muito treino e viagens. Vamos tentar levá-lo pela primeira vez à Indonésia para realizar o sonho dele, já que nunca rolou por falta de tempo”. [Zé Paulo]

6 - A IDÉIA É PARTIR PARA A CLASSIFICAÇÃO DO WCT?

Vou filtrar os principais campeonatos do WQS para não causar muito desgaste. Estou muito cansado de correr pra lá e pra cá.

7 – SENTIU O PESO DE CORRER MUITO CAMPEONATO DESDE PEQUENO?
Estou sentindo agora com o WQS, porque são vários campeonatos. Não tem tempo de descanso, chego em casa fico dois, três dias e depois tenho que arrumar as coisas de novo para viajar. Acho que tem que fazer a divisão das etapas para não desgastar muito.

 
 

8 – ENTÃO SEU FOCO SÃO OS CAMPEONATOS PRINCIPAIS E VIAJAR PARA PEGAR ONDA?
É, viajar pra pegar onda, treinar, pois não tenho treinado. A última vez que viajei pra pegar onda foi no Pro Junior de 2006, no Peru, depois disso não tive mais tempo.
“Está faltando na molecada o amor em pegar onda, porque eles começam a competir desde muito cedo depois cansa de sair na revista, cansa de competir, cansa de viajar. E acabam perdendo o real feeling do surf. Por isso temos que arrumar mais tempo para viajar e simplesmente surfar”. [Zé Paulo]

9 – VOCÊ JÁ DISSE QUE SONHA EM VER O MINEIRINHO COMO CAMPEÃO DO MUNDO (WCT). NÃO SONHA ISSO PRA VOCÊ TAMBÉM?
Eu me vejo lá, mas tenho um objetivo antes que é entrar para a elite mundial, então meu foco é esse. E ele já está lá, é mais fácil pra ele, por isso que antes de eu vencer, vem a vontade dele ser o campeão.

10 - E O HAWAII ESSE ANO, NÃO ROLOU NADA DE ONDA?
Fui pra lá fim de novembro e fiquei um mês. Com esse lance do aquecimento global, acho que ali é uma das áreas mais afetadas. Esta foi minha terceira temporada, e nesses dois últimos anos não quebraram boas ondas. Sei que é o sonho da galera voltar e pegar Pipe 15 pés, 10 pés. Quem pega um tubo daqueles nunca mais esquece. Mas, enquanto estive lá não rolou bons swells. Quebrou Sunset e outros picos legais para fotografar e filmar, mas pipe mesmo... nada!


* O atleta Billabong que entra para o WCT ou que é campeão Pro Junior, se credencia à Billabong Internacional e fica sendo do time A da marca. A Silvana é direto Billabong Internacional, agora o Pablo tem mais dois anos tudo pago pela Billabong Internacional.

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