1 – Você acabou de sair do WCT e parecia realmente empolgado no QS de Noronha. Qual o plano pra depois daqui?
O negócio agora é ir para a Austrália e continuar a perna lá e dar um gás para voltar ao WCT. Esse evento foi muito importante pra mim, pra mostrar que posso vencer e acabar com aquela coisa ruim que estava sentindo. Lá no CT a coisa é bem difícil e fiquei quatro anos sem vencer. Quero voltar pra lá.
2 – Como o fato de ter saído do WCT te afetou?
É cara, eu estava meio mal com aquela coisa de não conseguir passar as baterias. Isso estava me deixando muito mal e desacreditado, no meu surf mesmo. Imagina isso? Eu tenho 25 anos, ainda sou novo pra caramba e acho que ter saído do WCT agora acabou me mantendo mais motivado para continuar correndo o WQS e alcançar os resultados e voltar para o CT de novo.
3 – Quem é o chato dos chatos nas baterias?
Eu fique bastante tempo sem correr o WQS, mas dos caras que eu cruzava no CT e correm o QS acho que o Greg Emslie é um cara bem chatinho de competir, é um cara muito competitivo. O Aritz Aramburu também é assim e, claro, tem muitos brasileiros que são chatos, daqueles que viram a bateria na última hora e fica difícil pegá-los pela frente. Têm vários que você sabe que vai rolar dura com certeza.
4 – E o mais na boa?
Acho que o cara mais relax é aquele que não “impreguina” e fica ali surfando as ondas dele [risada]. Acho que qualquer um que não incomodar entra nessa categoria.
5 – Quais os picos que você incluiria ou deletaria do WCT?
Acho que eu gostaria de ver uma etapa na Nova Zelândia que é um lugar que dá altas ondas e de repente tiraria o Tahiti. Porque a grana que você ganha ali não vale o risco. A vida de um atleta vale mais. Todo mundo fala que a onda é fácil porque é perfeita e abre, mas a coisa não é bem assim, o risco é muito alto e a galera sabe que aquela onda, se pegar de jeito, pode ser fatal e com certeza pode te arrebentar todo. |
6 – O que você tirou como experiência de 2007?
Experiência de vida, de viajar tanto tempo e ter que me impor no meio de tantos australianos, americanos, aquela panela toda. Aquela experiência de ficar longe de tudo que a gente tem desde adolescente que começou a competir, longe de casa, da família, ainda mais que tem as janelas de espera maior, com dez dias e às vezes até quinze, então você fica muito tempo viajando. Claro, há toda experiência de pegar experiência com aqueles caras que já estão ali há muito tempo. A humildade de perder, saber se levantar e partir para o próximo. Ali no WCT isso tudo é muita bagagem que se adquire.
7 – Você tem alguma manobra nova na manga?
Cara, manobra nova não é muito comigo, não, é mais pra molecada que inventa essas novidades. Eu estou tentando dar uns aéreos diferentes agora, com double grab, aquele sexchange... estou começando a acertar mais e até mandei aqui em Noronha, então a gente vai se aperfeiçoando junto com a evolução do surf.
8 – Já imaginou como será sua aposentadoria?
Vou estar lá em Saquarema, com certeza, minha aposentadoria será lá. Vou ficar ali tranqüilo. É o lugar onde vivi até hoje. É onde tenho meus amigos e pretendo ter meu ganha pão lá, com minha família, surfando e tomando conta do lugar.
9 – Pretende ficar mais tempo no Hawaii na próxima temporada?
Esse ano passado até fiquei um tempinho a mais, cheguei antes e fui embora depois do WCT, mas estava lá para os WQS´s, antes de Haleiwa e Sunset. Estava até comentando com a Natália [esposa de Raoni] de ficar um pouco mais afastados, lá no Kuillima, alugar um lugar e ficar mais distante. Passar o Natal e Ano Novo por lá e pegar as ondas porque ali é muito bom pra treinar, existem várias ondas pesadas. Picos diferentes. O crowd é intenso, mas se você se impor e conhecer o pessoal que toma conta ali dá pra pegar umas ondas.
10 – Quantas tatuagens você tem? Alguma nova?
Não sei, já não sei mais, não conto minhas tatuagens. Isso rolava no começo, aquela coisa de moleque, de ter várias tatuagens. Agora estou pensando mais na hora de fazer, estou dando um tempo, porque é um lance pra vida inteira. Fiz uma agora no Tahiti, acho que é uma tatuagem que tem a ver comigo, com o surf. No Tahiti você troca uma idéia com o cara, conta sua história e ele começa a riscar. É uma coisa que faz sentido pra mim, acho bonita, tem um pouco da minha história. |