Ricardo Borghi

NOME: RICARDO BORGHI

IDADE: 32 anos

DE ONDE: Natural de São Paulo, porém nos últimos anos tenho morado em vários cantos.

SURFA: Sim, desde moleque. Comecei no Guarujá, nas Pitangueiras, depois em Maresias, onde morei um tempo e freqüento constantemente quando estou no Brasil. Paralelamente joguei Pólo Aquático durante 12 anos.

INSPIRAÇÃO: Fazer imagens diferentes, de preferência na água com o uso da lente fisheye (grande angular), criando ângulos inusitados em lugares selvagens e pouco explorados. Busco ir atrás de algo novo, sempre.

FOTO BOA É: Aquela que você consegue registrar exatamente o que está passando na sua mente. Minhas fotos não são sem querer. Uma boa foto é quando você sente, entra em sintonia total com mar e surfista.

MELHOR SESSION: Pasti 2007.

ATLETAS PARA FOTOGRAFAR: Gosto de trabalhar com quem tem vontade e dedicação. São eles: Thiago Camarão, Júnior Faria, Robson Santos, Fábio Gouveia, Danylo Grillo, Bernardo Pigmeu, Jessé Mendes, Alejo Muniz, Ricardinho, Marco Giorgi, Jerônimo, Adilton Mariano, Peterson Crisanto, Flávio Tavares, Alemão de Maresias e Carlos Bahia.

MOMENTO QUE NUNCA FEZ: Backdoor com flash.

ESPECIALIDADE: Fotos aquáticas com fisheye. Prefiro trabalhar dentro d’água, me sinto mais à vontade, porém não são todos os mares que são bons para fotografar de dentro, ainda mais com uma grande angular. Nunca me interessei muito por meia-teles de dentro d’água, achava sem graça, sem adrenalina, porém existem mares que o uso da fisheye colocaria sua vida em risco, como um Pipe/Backdoor 12 pés, Sunset ou Waimea. Já com uma meia-tele é possível ficar na segurança do canal e produzir excelentes imagens. Estou me adaptando a esta opção de fotos aquáticas, porém confesso que não me atrai. Também gosto muito de fotografar line ups e pessoas. Cada povo e cultura têm suas peculiaridades, sempre procuro levar isso ao leitor. Para mim, um bom fotógrafo tem que ser completo. Saber explorar a luz e o uso do flash, ser bom dentro d´água, procurar ângulos inusitados fora d´água e ter um olho bom para visualizar momentos. Isso é o que distingue um profissional do outro. O Olhar. Confesso que sou chato com meu trabalho. Pra mim nunca está bom, creio que evoluo assim. Procuro escutar, respeitar e aprender com os fotógrafos mais experientes. Humildade sempre, em qualquer lugar.

CAPAS: A do Hizunomê Bettero foi a minha primeira, então não tem como esquecer. Gosto muito da capa do Fabrício Caraça, em Padang-Padang, também a do Robson Santos, em West Austrália. Tem a do Júnior Faria em Pasti, a do Nego Noronha e agora a do Danilo Costa. Cada uma tem um carinho especial.

MERCADO: Acho que o mercado de foto de surf no Brasil é realmente pequeno. O valor de uma foto é mal avaliado. Existe uma “tabela” na qual alguns fotógrafos buscam seguir. Mas a verdade é que essa tabela é limitada. Para fotografar surf você tem que ter equipamento de ponta que é caríssimo. Na água é ainda pior, você é obrigado a colocar tudo em risco, ate a vida, muitas vezes com uma rasa bancada de coral logo abaixo. Aí você nada horas, produz uma boa foto e quando vai vender muitas marcas pedem descontos absurdos, que inviabilizam o business. Muitas vezes nem dão satisfação quando recebem o orçamento, pois acham “caro”. Eles acabam procurando um amador ou um inexperiente que vendem imagens, geralmente sem qualidade, por um valor muito abaixo do preço. Por outro lado, há marcas sérias que valorizam o profissional, procurando um trabalho de qualidade e seriedade, nos dando o devido respeito. São essas que tenho como meus clientes.

STAFF: Tudo tem o lado bom e ruim. É legal ser staff de uma boa revista, pois terá um salário fixo, porém seu trabalho será veiculado somente ali. Como freelancer, você não terá salário fixo, mas poderá colaborar com diversos veículos. São duas formas de trabalhar. Com seriedade é possível obter sucesso em ambas.

NA HARDCORE: Quando comecei a fotografar surf fazia um curso profissionalizante na Escola Focus. Ainda estava aprendendo e na época tentando produzir boas fotos. Um amigo meu, o Fábio Paradise, na época era staff da Hardcore. Ele me deu um grande incentivo na carreira. Acabei comprando uma caixa estanque dele e fiz minha estréia na fotografia aquática num Maresias grandão que renderam bons momentos. Levei na Hardcore e lembro de ter conversado com o pessoal. Não esqueço uma situação, o Gustavo (não o Cabelo, outro) que trabalhava antes na fotografia viu as fotos (todas em papel 10x15) e me perguntou quanto tempo fotografava de dentro. Respondi que tinha sido minha primeira queda. Ele disse: “Cara, poucos fotógrafos tem um aproveitamento assim. Essa ainda foi a sua primeira queda. Pô, você tem talento pra coisa!” Isso me incentivou, depois o Annibal também me deu uma pilha. Acabei trabalhando por minha conta, colaborando com outras revistas, mas publiquei minha primeira foto de surf em 2002, na Hardcore. Na seção editorial com um line up de Maresias. A Hardcore sempre me deu força. Em 2006, fechamos uma parceria ótima em Noronha e também na Indonésia. O resultado foi sensacional. No ano seguinte criamos a Expedição Hardcore, que segue para seu segundo ano. Entrei para o staff, atuando internacionalmente. Sem dúvidas, a Hardcore valoriza o surf brasileiro.

UMA HISTÓRIA: Sempre tive vontade de descobrir um secret spot, ou ao menos registrar um. É interessante algumas situações que a vida nos coloca. Estava saindo da natação, em São Paulo, e de repente encontrei um colega chamado Adrianinho, que tinha jogado Pólo Aquático comigo anos atrás. Ele tinha visto a matéria que fiz em Bali, em 2006, e veio conversar. Ele comentou que seu primo estava montando um Village numa ilha secreta na Indonésia, com uma direita fantástica. Daí pensei: “Direita? Indo? Ilha Secreta? Que papinho...” Bom, no mesmo momento ele sacou o celular e ligou para o primo Mario, que estava em Sampa também. Ele passou o fone pra mim e perguntei: “Pô, que papo é esse de direita fantástica numa ilha secreta na Indonésia?” Ele riu e disse: “É verdade irmão, estou aqui com as fotos que tirei em dezembro”. Daí mandei: “Vamos nos encontrar?” Depois de alguns instantes estava recebendo um rastafari sangue bom com sua namorada australiana (agora esposa) em casa. Quando vi as fotos, não acreditei. Disse que queria fazer uma matéria para a Hardcore. Ele topou e assim conheci o Surfing Village, lugar que hoje faço parte do time como fotógrafo residente. O que os contatos não fazem, né?

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