Gustavo Cabelo

NOME: GUSTAVO RODRIGUES VALENTE

IDADE: 25 anos

DE ONDE: Moro no Rio de Janeiro desde pequeno, mas nasci no Amazonas

SURFA? Sim

INSPIRAÇÃO: O mar.

FOTO BOA É: A que nunca foi feita.

MELHOR SESSION: Não existe.

ATLETAS PARA FOTOGRAFAR: Marco Giorgi, Stephan Figueiredo, Marcus Sifu, Guilherme Tripa, Ricardo dos Santos, Jerônimo Vargas, Pedro Scooby e Felipe Cesarano. 

MOMENTO QUE NUNCA FEZ: Pipe grande, ângulo de dentro pra fora do tubo e surfista passando lá embaixo.

ESPECIALIDADE: Gosto mesmo é de fotografar na água, de longe, de perto, cor ou PB, não importa. Se der, quero estar lá dentro. Mas também aprecio o trabalho da areia, quando é criativo. Fora a ação, procuro fazer line ups, visuais e alguns retratos. Ultimamente tenho me afastado dos campeonatos, talvez seja pelo circo que se arma ao redor de uma simples competição, que na verdade deveria ser para eleger o melhor atleta e não para vender carro. Mas quando vou, gosto de fazer bastidores e registrar outros fotógrafos e videomakers trabalhando. Sou especialista nisso. 

CAPAS: Duas. Poucas, porém inesquecíveis. Hawaii, pela primeira vez, e Uruguay, tubo de chá mate.

MERCADO: Esse assunto me dá um pouco de azia. Escuto gente reclamando de todas as partes. De quem compra e de quem vende. De quem faz barato e de quem faz caro. Felizmente [ou não] tenho direcionado meu trabalho para a linha editorial. Não produzo minhas fotos pensando em que irá comprá-las, mas sim em quem irá vê-las, numa bela matéria, de preferência. Se uma marca quiser comprar, legal, vamos nessa. Vejo que as coisas não andam bem no mercado brasileiro. Aqui parece que a corda estoura nas mãos dos menores. Acho que cada um sabe o valor de seu trabalho e acredito que esse valor é diretamente proporcional a qualidade do material oferecido. O barato pode sair caro.

STAFF: A HC me salvou da universidade. Enquanto alguns amigos iam estudar, outros já engravatados, enfrentando engarrafamento, eu estava indo fotografar na praia, em plena segunda-feira. Me formei jornalista pela Hardcore, com MTB e tudo. Minha pós-graduação é estar na água.

NA HARDCORE: Publico desde setembro de 2004, quando emplaquei a primeira foto, Victor Ribas em Guaratiba (RJ). Minha história na Hardcore é maneira, sempre gosto de contar. Leio revistas de surf desde moleque, minha mãe comprava antes de eu entrar na aula, mesmo sem pegar onda ainda, de descobrir o que iria fazer da vida. Lá estava eu, fissurado nas páginas, ou melhor, lendo as fotos, que na verdade sempre me interessavam mais que as letras. Depois de abandonar a faculdade de biologia, resolvi mudar o rumo e comecei a fotografar o que mais gostava de fazer: surfar. Meu foco sempre foram fotos aquáticas, inspirado pelas imagens de Beto Paes Leme. Na minha galera, alguns amigos surfavam bem e já competiam. Colei no Stephan Figueiredo e todo dia corríamos atrás das ondas. Dessa forma pude treinar e acabei estando nos mares junto aos melhores atletas do Rio. Isso me fez evoluir e ganhar confiança. Foi num desses mares que tive meu primeiro contato com a Hardcore.
“– Aê merrrmão, tá a fim de colocar essas fotos na HC???”– meio sorridente, um pouco sem jeito, respondo que claro, estava a fim sim! Estava clicando no shore break do Sheraton e como o swell era de sudoeste optei em sair pelo Leblon. Remei até lá fora e deixei a corrente me levar para o Pontão. Foi lá que conheci o José Roberto Annibal, antigo editor-chefe da revista, gritando para todo mundo que remava na onda dele. O dia estava chuvoso e sem luz, nenhuma foto foi publicada. Não desanimei, o contato estava feito e logo depois tive minhas primeiras fotos virando papel nas páginas da Hardcore #181. Passei um ano como colaborador e, na edição de novembro de 2005, dei minhas primeiras remadas editorias. Me ofereci para fazer um estágio de uma semana na editora e acabei ficando. De curioso passei a ser staff. As responsas aumentaram, hoje cuido da fotografia da revista.

UMA HISTÓRIA: Alguns vão dizer que é superstição, pode até ser, mas essa história recente me marcou. Quinta-feira, 28 de março. Me encontrei com o Tripa para uma session que acabou não rolando. Trocamos idéia e ele me chamou para uma barca na Ilha Grande, de patrão, casa em Angra e lancha na mão. Seria uma boa, se eu não estivesse zerado de grana e com o fechamento das fotos da edição nas costas. Queria, mas não podia. Então nem me animei, mas Tripa me impregnou tanto que fiquei de dar uma resposta no dia seguinte. Sexta-feira, dia da partida, ainda indeciso, fui dar um mergulho na Joatinga para decidir. Botei o pé-de-pato, pulei das pedras e entrei no mar. Queria só pegar uns jacarés [surf de peito] e fazer a cabeça. Na primeira onda, botei pra dentro de um buraquinho de meio metro que fechou. Tranqüilo, se lá dentro não tivesse secado tudo e eu não batesse o ombro no banco de areia. A porrada foi forte e quase deslocou meu ombro, fiquei 15 dias parado. Mas isso não importa, o que importava é que eu não poderia ir com eles para Ilha Grande. Agora estava definido. Fiquei dias com essa dúvida na cabeça e a tipóia no braço, me recuperando. O fotógrafo Marcelo Piu, que também foi na viagem, me mandou as fotos. Ao ver não acreditei. Rolou um acidente feio na estrada com o carro do Ruy Costa, mas por sorte não aconteceu nada grave. Fiquei pensando, talvez um cara a mais ali dentro, não sei não. Por outro lado, ainda sinto o ombro.

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