NOME: JAMES EDWARD THISTED
IDADE: 38 anos
DE ONDE: São Paulo
SURFA: Sim
INSPIRAÇÃO: Tanto na fotografia quanto na vida o mar é o que me inspira, dá prazer, relaxa e renova o espírito.
FOTO BOA É: aquela que te dá vontade de surfar.
MELHOR SESSION: Pipeline ou Tahiti, dentro d’água.
ATLETAS PARA FOTOGRAFAR: Marco Polo. Ele sabe trabalhar com o fotógrafo, sempre que fazemos uma sessão sai um fotão. O Fabinho Gouveia tem o melhor estilo.
MOMENTO QUE NUNCA FEZ: Amanhã promete dar um dia daqueles...
ESPECIALIDADE: Gosto de fotografar de dentro e de fora d’água. Quando sai um fotão o prazer é o mesmo. Ficar fazendo fotos fora, apesar de parecer o contrário, cansa mais que fotografar de dentro. Horas e horas de pé debaixo de um solzão, acaba com qualquer um. Quando você faz de dentro sai se sentindo super bem, é quase como surfar. Gosto muito de fazer fotos de line ups. Pode ser só a onda ou o visual completo, de dentro ou fora d’água. O importante é que quem veja a foto sinta vontade de estar naquele lugar, naquele minuto. Gosto de assistir a campeonatos, principalmente agora na época da internet, mas é lógico que prefiro fotografar sessões de free surf, longe do agito que o campeonato proporciona.
CAPAS: Espera um pouco que preciso ver no site da revista (risos). Contei 45 (mais risos). Tem uma que é só uma onda em Pipe, sem surfista, foi capa de aniversário (de 11 anos). Acho que essa foi a que mais gostei. Lembro de uma das Maldivas, que é nesse estilo também.
MERCADO: É muito difícil viver de fotos de surf no Brasil. Tenho sorte de ser do staff Hardcore, pois assim tenho o meu $ garantido todo mês. São poucas as empresas do ramo que valorizam o nosso trabalho. São poucas as que compram fotos com freqüência e muito menos as que pagam o valor mínimo justo por elas. Muitos acham que é fácil conseguir uma boa foto de surf, que é só alegria e diversão na beira da praia. Essas pessoas não fazem idéia de quanta disposição, tempo, garra, vontade, perseverança são necessários para se ter uma boa imagem. Sem contar o fator grana investido em equipamentos, viagens, transporte, hospedagem...
STAFF: Ser do staff da Hardcore só tem pontos a favor. Fazer parte da equipe da Mais Surf do Brasil é um orgulho. Sem contar as viagens e as facilidades em campeonatos. O mais importante para mim, que vim da época dos filmes 35 mm, foi ter os filmes e as revelações pagas pela revista. Se tivesse que arcar com esses custos ia ser muito mais difícil me aprimorar.
NA HARDCORE: Comecei a trabalhar na revista em 1991. A Hardcore tinha um ano e comecei como estagiário de marketing, pois precisava fazer um estágio obrigatório para me formar em administração na PUC/SP. Nessa época, fazia qualquer negócio, até entregar revistas nas surf shops de São Paulo, amarradão com minha vespinha, porque vi que a parada era ali mesmo. Estar trabalhando na Hardcore fechava com meu life style e sabia que poderia crescer dentro de um ambiente de trabalho que era irado. Como já tinha feito alguns cursos de fotografia, após finalizar o estágio no marketing, comecei a trabalhar como assistente do Grande Alberto Sodré, fotógrafo de surf pioneiro no Brasil. O contato com as imagens me colocou na cara do gol pra definir o que me dedicaria dali pra frente. Com a HC acreditando no meu potencial, em 1995 me joguei pra primeira surf trip internacional, West Austrália/South África. Meus pais deram uma força e investi num equipamento. Parando pra pensar agora, vejo que foi fundamental a parceria, termos acreditado, tanto a revista em mim quanto eu neles. Afinal, estávamos começando juntos e mais que tudo defendendo a bandeira de divulgar o surf com outra visão, que não a mera exploração comercial da parada. Ainda nesse ano, veio a primeira temporada havaiana, com total apoio da HC. E depois desta, as 11 seguintes. Aos poucos fui fazendo meu nome nas fotos de surf, fiz viagens alucinantes ao longo desses 17 anos, sempre com apoio da revista. Posso dizer que passei por todas as fases da HC, de fartura a tempos mais difíceis. Mas o que trabalhar na revista representa para mim é mais que uma questão econômica/profissional. Trabalhei e conheci pessoas espetaculares e seria até sacanagem citar só um ou dois. Fiz grandes amigos, que chegaram e saíram da revista, e tenho certeza que levam com eles o soul Hardcore pra sempre. A conclusão é que através da Hardcore consegui chegar na seguinte situação: Trabalho naquilo que sou amarradão, com pessoas da melhor qualidade e em lugares paradisíacos.
UMA HISTÓRIA: Cada viagem ou sessão de fotos envolvem pessoas, lugares, histórias, roubadas e aventuras diferentes. No fundo o que fica são as amizades que fiz, os lugares que conheci e as ondas que peguei.
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