NOME: JEFFERSON DIAS
IDADE: 23 anos.
DE ONDE: São Paulo.
SURFA? A onda é que me pega.
INSPIRAÇÃO: O ambiente no momento da fotografia. Podemos entender isso por local + luz + equipamento + objeto fotografado + interação com o objeto fotografado.
FOTO BOA É: competente naquilo em que ela se propõe. Quando o assunto é imagem, os padrões são dispensáveis.
MELHOR SESSION: Pra mim não existe, cada imagem é diferente, desde sua produção até a pós-produção. As entrelinhas podem ter sua própria beleza, sendo completamente diferentes uma da outra.
ATLETAS PARA FOTOGRAFAR: Qualquer um que ajude a produzir uma boa foto.
MOMENTO QUE NUNCA FEZ: A todo segundo que não apertamos o disparador estamos deixando de fazer uma foto.
ESPECIALIDADES: O que mais fotografo é gente, retrato. Isso me levou a direcionar o meu trabalho na Hardcore para ensaios com uso de flash ou luz natural, como na seção Top Core, além de retratar algumas pessoas relacionadas ao surf. Não tenho grandes preferências nos assuntos fotografados, o que importa é que o resultado seja satisfatório. A fotografia não deve ser encarada como realidade e sim como imagem que, por questões técnicas, precisa de uma cena real para nascer. Em um ambiente real, a percepção é completamente diferente da percepção de uma foto. Você sente frio, calor, areia no pé, que pode estar seca ou molhada, ser mais grossa ou mais fina. Você ouve uma infinidade de sons ao seu redor, cheiros e sem falar nas imagens em movimento o tempo todo. Em uma fotografia, muito pouco dessa realidade é captada, ficamos com uma imagem recortada no espaço e no tempo. O que não significa que a fotografia é menor, só é diferente. Ao olhar uma imagem aplicamos muito da nossa memória e da nossa imaginação na percepção, o que é um fenômeno instigante.
CAPAS: Nenhuma, talvez demore um pouco ou nunca saia. Como os leitores da Hardcore receberiam uma capa sem mar? Cada vez mais temos que entrar em contato com o público da revista e esse público poderia contribuir mais com impressões sobre as edições. Com esse diálogo entre leitores e revista poderíamos construir um veículo de comunicação mais abrangente e inteligente. O que você acha de um retrato em estúdio do Kelly Slater na capa? Eu tenho a impressão que grande parte dos leitores da Hardcore não é leitor na verdade, são apenas observadores, e não sabem consumir tudo que oferecemos.
MERCADO: É complicado. Apesar de faturar muito dinheiro, os consumidores que de fato pegam onda são uma parcela muito pequena do total. Já vi várias marcas querendo atrair um público não surfista em suas campanhas. Quantas surf shops existem no Brasil? E dessas, quantas vendem parafina? E você, já comprou uma bermuda em surf shop que não vende parafina? A impressão que tenho é que os valores estão distorcidos.
STAFF: O bom de fazer parte de um time é que o pensamento circula diariamente.
NA HARDCORE: Tenho um ano e meio de casa. Trabalhava na Cia de Foto, uma empresa produtora fotográfica que sempre teve vínculos com a Hardcore. Ainda na Cia conheci o a galera da redação. Não surfava, mas sempre andei de skate e logo me identifiquei. A Hardcore nos contratava para realizar ensaios, como entrevistas. No tempo em que trabalhei na produtora, além de fotografar, adquiri intimidade com o Photoshop e quando saí de lá, em dezembro de 2006, fui convidado pelo Marcos, diretor de arte, para tratar todas as imagens da revista. Nesse tempo de Hardcore ampliei meu conhecimento em tratamento específico para impressão (CMYK). Hoje sou responsável por esse tratamento, acompanhamento da impressão na gráfica e também faço fotos para as edições.
UMA HISTÓRIA: Estava na Hardcore depois de voltar de uma pauta. Por acaso tinha comigo todo equipamento fotográfico e de iluminação. Do nada chega o shaper John Carper, animado com sua estadia no Brasil. Não o conhecia, só depois de armar a sessão, descobri da importância do cara. Lembrei de uma rua sem saída, perto da redação, que sempre namorava dizendo: “Ainda preciso fazer um retrato aqui”. Tiramos o JC da redação e no caminho era nítido o choque cultural, o cara fotografava tudo. O bacana é que naquele dia não esperava uma visita como essa e eu com o meu equipamento no gatilho, sem ter nada agendado. Missão resolvida até que o próximo chegue!
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