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| KRACATOA |
FOTOS:MARROKE
TEXTO: RODRIGO CABALLERO |
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Krakatoa era uma ilha perfeita e calma, situada no estreito de Sonda, Indonésia, entre Sumatra e Java; dominada por um imenso vulcão. Um gigantesco monstro geológico que dormia sem molestar ninguém faz muito tempo.
Em maio de 1883, os moradores de Krakatoa escutaram alguns rugidos que não provinham das feras que habitavam as espessas selvas da ilha, nem das ondas perfeitas e tubulares que quebravam sobre os arrecifes circundantes. Os temíveis sons eram pequenas explosões geradas pelo vulcão. Durante três meses, os roncos sucederam-se em forma intermitente, aumentando o pânico dos habitantes locais, que se meteram de imediato a encher de oferendas o gigante que consideravam um Deus. Através de sacrifícios, jogavam na boca do vulcão crianças, homens e belas donzelas; cabritos, javalis, galinhas degoladas e demais animais que eram assados em um instante pelo próprio vulcão; artesanatos em madeira, dentaduras de macaco, arranjos florais, frutas frescas e empanadas recheadas de pescado, lula ou polvo. Mas nada disso foi capaz de deter a fúria incontrolável do Krakatoa. |
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Assim, em 27 de agosto ocorreu uma explosão cataclísmica, a mais poderosa da história de nosso planeta, que fez a ilha voar pelos ares. Segundo foi confirmado, o vulcão não era Deus e por isso de nada serviram as oferendas. Em vez disso, os cientistas afirmam que as paredes do vulcão se fraturaram por explosões mais anteriores, que permitiram a entrada da água do oceano na câmera de magma (o lugar dentro do vulcão onde se acumula toda a matéria que sobe das entranhas da terra), provocando a explosão final, com uma potência de cem megatons.
A onda explosiva percorreu o ar ao redor do mundo por sete vezes.
O estrondo se escutou até na ilha de Madagascar, a quase cinco mil quilômetros de distância, onde as pessoas imaginaram uma monstruosa batalha naval que estava se desenvolvendo além do horizonte. Em Jacarta, Java, a 160 quilômetros de distância, as pessoas ficaram temporariamente surdas. As correntes de ar espalharam as rochas em forma de partículas finas na atmosfera superior, a mais de 130 quilômetros de altura e mesmo três anos mais tarde, observadores do mundo inteiro descreviam crepúsculos e amanheceres de cores brilhantes produzidas pela refração dos raios solares nestas minúsculas partículas.
Além disso, as cinzas que permaneceram no céu obstruíram a passagem dos raios solares, produzindo um fenômeno de esfriamento do clima, afetando os padrões do ano seguinte. Junto com as explosões produziram-se ondas de até quarenta metros de altura; bombas insólitas que arrasaram mais de cinqüenta mil pessoas na costa de Java e Sumatra.
A única coisa que permaneceu da ilha de Krakatoa foi uma ilhota chamada Rakata. Com o passar do tempo, a vida começou a aparecer onde não havia e, em 1927, descobriu-se que uma nova ilha começava a se formar debaixo da anterior. Vinte e cinco anos depois, em 1952, outra explosão lançou esta formação recente para a superfície, dando vida a um novo vulcão que os locais batizaram como Anak Krakatoa: O Filho de Krakatoa. O pequeno demônio surgiu no mesmo lugar em que seu pai escolheu mandar todos à merda e as mesmas placas tectônicas estão empurrando magma até a superfície, fazendo com que a formação cresça ano a ano. E cresce como peido. Hoje já tem mais de 400 metros de altura.
Estudos de geólogos realizados por extraordinários cientistas permitiram saber que houve outra explosão anterior a Krakatoa, ocorrida no ano de 416 AC. Os prognósticos destes cientistas indicam que um dia o Anak, seguindo os passos de seu pai, também explodirá, confirmando o cumprimento de um ciclo geológico de vida, morte e renascimento.O que pareceu ser em 1883 a destruição total era apenas a renovação. O mais velho dando lugar ao mais jovem. |
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